• 22 de November de 2017
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Moradores sofrem ao conviver com a violência no Fumacê

Temerosos de retaliações, eles até aceitam conversar sobre as dificuldades do dia a dia na comunidade que sofre com a ação de facções criminosas, mas se recusam a se identificar; lei do silêncio impera e não há denúncias

Moradores do bairro Fumacê, na área Itaqui-Bacanga, lutam diariamente para viver em paz, diante da violência que assola os arredores do bairro. Eles alegam que a principal dificuldade na região, é lidar com a disputa entre facções criminosas.

Comerciantes, estudantes, professores e moradores, que não quiseram ser identificados, por medo de represálias, contaram as dificuldades por que passam em seu dia a dia com medo da crescente violência.

Segundo uma comerciante da área, por mais que pareça diferente, a preocupação dela não é com os marginais que moram no bairro. “Eu sou bem tranquila quanto a isso aqui no bairro. Não temos nenhum problema em vender nossas coisas. Mas, às vezes, vários deles [marginais] vêm aqui na minha lanchonete e eu fico preocupada. Quando tem muitos deles, peço que não fiquem por muito tempo por causa das facções rivais que podem oferecer risco a eles e a quem estiver aqui”, disse.

Já um motorista de transporte coletivo disse que o medo assola a região. “Nos últimos dias temos registrados vários assaltos a ônibus aqui. Eles roubam tanto o cobrador, como os passageiros. Nunca sabemos quando será a próxima vez e como eles tratarão quem estiver no coletivo, e isso nos preocupa”.

Moradores ressaltaram que, muitas vezes, o crime organizado deixa aquela comunidade refém, fazendo com que fiquem calados e não tenham coragem de denunciar.

Outros informaram que as facções criminosas ainda escolhem horários, que normalmente são fora de expediente escolar e comercial, para atuarem no tráfico de drogas e até mesmo as usarem em regiões que outrora estaria cheias de pessoas, o que poderia oferecer risco a elas.

Uma moradora de 57 anos, que também não quis se identificar, disse que eles vivem uma realidade totalmente diferente do que era antes. “É como se fosse uma daquelas favelas no Rio de Janeiro. Os marginais matam outros marginais e o povo fica no meio, quieto, com medo do que pode acontecer com suas famílias se fizerem algo para combater esse mal”, concluiu.

Um dos muitos homicídios já registrados no bairro do Fumacê.

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