• 1 de October de 2018
  • 0

Silêncio sobre denúncias contra o marido fragiliza discurso de Eliziane a favor da mulher

Não é prática deste blog tratar da vida privada dos políticos, pois o que fazem em suas intimidades não é considerado como assunto para reportagens. Contudo, em tempos de luta da sociedade contra a indecência política, esse entendimento não se aplica quando a pessoa envolvida prega uma coisa para a população eleitora, em busca de votos para se manter no poder, mas na prática age de forma completamente contrária, e até mesmo tenta esconder a verdade classificando fatos como mentira.

É o caso da deputada federal e candidata ao Senado Eliziane Gama (PPS), da coligação Todos pelo Maranhão, que evita se pronunciar sobre a sua vida particular num assunto que ela própria explora demasiadamente na sua vida pública: a luta pelos direitos das mulheres e da infância.

Segundo reportagens fartamente documentadas do jornal O Estado, que foram censuradas após Eliziane recorrer à Justiça, o seu atual marido, identificado num dos seus supostos três CPFs como Inácio Cavalcante Melo Neto — há denúncias contra ele por possível falsidade ideológica e estelionato —, responde na Justiça por casos de violência doméstica e não pagamento de pensão alimentícia, inclusive com pedido de prisão.

Apesar de, na propaganda eleitoral de televisão e rádio, Eliziane Gama apresentar-se ao eleitorado maranhense como alguém que luta contra o feminicídio, que é a favor dos direitos e proteção das mulheres e até de utilizar do artifício de marketing de colocar crianças e adolescentes com o objetivo de alavancar a intenção de votos à sua candidatura, no mesmo horário político, Eliziane evita se posicionar sobre as acusações que pesam sobre marido, limitando-se a apenas dizer, mas sem apontar como, que ela própria estaria sendo vítima de ataques rasteiros e de fake news.

Na quarta-feira passada, dia 26, o ATUAL7 procurou ouvir a parlamentar a respeito do assunto, por meio de sua assessoria, em razão do tema agressão à mulher e abandono e atraso no pagamento de alimentação ao filho, justamente as acusações que pesam contra o seu marido Inácio Cavalcante, serem exatamente as principais lutas que Gama garante que levará ao Senado, se eleita.

Duas perguntas foram feitas à candidata do PPS: “Como ela encara, se confirmada as acusações, a situação de viver matrimonialmente com alguém totalmente contrário a todo seu histórico de luta apresentado na campanha eleitoral?”; e “qual a mensagem dela, como candidata, para quem passa pela mesma situação?”. Até o momento, quase uma semana depois, não houve o retorno, o que fragiliza o discurso feminista de Eliziane,

Enquanto segue em silêncio, num dos mais recentes vídeos de sua campanha eleitoral, Eliziane Gama diz que o Maranhão precisa “de um aparelho de proteção com delegacias, juizados, promotorias que funcionem de verdade, para além da investigação, também promover a proteção da mulher”. “Há cada 2 horas, uma mulher é vítima de feminicídio no Brasil. Uma realidade que precisa ser mudada. Vamos lutar com todas as nossas forças para defender os direitos da mulher. (…) Vamos levar pro Senado alguém que vai representar, de verdade, você, mulher”, promete.

Pelo silêncio em relação às mulheres que registraram boletins de ocorrência contra Inácio Cavalcante por agressões verbais e físicas (oito, no total), e por classificar essas denúncias como ataques rasteiros e fake news contra a sua candidatura, porém, essa luta de Eliziane Gama pela proteção às mulheres aparenta ser seletiva e capenga, principalmente quando o suposto agressor se trata de um certo “homem branco” que antes apareceria e era mostrado ao lado dela em eventos políticos, mas agora parece ter sido estrategicamente escondido de sua campanha. (Do blog Atual7)

Deixe o seu comentário