BLOCO DA PRIMEIRA-DAMA TRAVA PALMEIRANDIA E DEIXA PASSAGEIROS REVOLTADOS

Um ônibus cheio, dezenas de pessoas cansadas, idosos inquietos, crianças assustadas e até uma paciente recém-operada voltando para casa depois de uma cirurgia em São Luís. Todos presos, por horas na noite deste domingo, em plena Palmeirândia. O motivo? Algo que só poderia acontecer no Maranhão: a rua foi bloqueada pela própria prefeitura para a festa do Bloco da Patrícinha, comandado pela primeira-dama — e esposa do prefeito Edilson Alvorada (PL).

Sim, você leu certo. Para garantir o desfile carnavalesco da “Patricinha Fashion” do município, a gestão municipal achou natural transformar uma via intermunicipal em parque privado de diversão. Resultado: o ônibus que seguia para Bacurituba ficou retido desde 19h até perto da meia-noite.
O cenário era tão absurdo que até uma ambulância ficou presa, incapaz de romper o bloqueio improvisado. Para quem precisava chegar em casa, descansar ou simplesmente exercer o básico direito de ir e vir, restou a revolta.
“Não somos contra festas de ninguém. Mas desde que não interfira no direito de ir e vir. Ficar tantas horas impedido de passar por conta de um capricho da primeira-dama é um desrespeito. Isso é uma vergonha”, desabafou a instrutora Antônia Rodrigues, uma das passageiras cansadas de esperar e de serem tratadas como estorvo.

Enquanto o Bloco da Patrícinha desfilava, quem precisava chegar ao destino amargava horas de humilhação.
Palmeirândia virou, por algumas horas, o retrato perfeito do carnaval da irresponsabilidade: onde quem tem poder se diverte, e o povo… se quiser que espere.


